domingo, 7 de outubro de 2012

Tobias Barreto



Tobias Barreto
1909-2012

Num cantinho da Província de Sergipe, estava a Vila de Campos dos Sertões do Rio Real, fronteira territorial desanexada da Bahia a 08 de julho de  1820, para  onde costumavam fugir os negros escravos que terminavam agrupados nas santidades de Palmares, Carnaíbas  e nos sertões próximos a Riachão. Estamos falando da próspera e acolhedora  Vila de Campos, de cenário ruralista, com ruas  de chão batido, casas singelas, ares bucõlicos, animais soltos e um povoado muito religioso, abraçado por dois rios.
Assim como em todo Brasil,  em Campos,  a Igreja Católica teve importante papel no surgimento do núcleo populacional, pois a função  religiosa provocou a existência do aglomerado.  Em torno da igreja formaram-se ruas e praças. A partir da construção da capela, doada pelo primeiro mandatário Belchior Dias Moréia, a freguesia de Campos começou a se organizar. A criação da Vila de campos  resultou do crescimento da população que vivia da atividade pecuária, embora essa população tenha enfrentado, durante séculos, grandes dificuldades, pois faltavam escolas, médicos, saneamento etc.,  já que os senhores de terra e de gado que formavam as classes dominantes não se interessaram pelo progresso da vida urbana, e os governos demoraram  para reconhecer  a importância da povoação. O reconhecimento como Vila e, setenta e quatro anos depois o reconhecimento como cidade, foi para a população o reconhecimento da sua existência pela igreja e pelo estado.
A elevação da Vila de campos à categoria de cidade atendeu aos interesses da população através das lideranças locais, tendo à frente os incansáveis padres João Antônio de Figueiredo e seu substituto, o Padre Luiz Gonzaga, além do intendente João Alves  de Oliveira e o influente chefe político, o Coronel Luiz Antonio da Costa Melo, os quais, insistentemente, reinvidicaram ao presidente do Estado de Sergipe (governador) José  Rodrigues da  Costa Dórea.  Finalmente ,  o jornal – O Estado de Sergipe - oficial, político e novicioso-,  de sábado, 23 de outubro de 1909, publicou o decreto-lei  550,  da Assembléia legislativa do  Estado de Sergipe, que homologa a  elevação de Campos à categoria de cidade, assinado pelo presidente Manoel   Baptista  Itajahy e pelo  vice-presidente  José  Alípio de  Oliveira, sancionado pelo presidente do Estado de  Sergipe (governador)   José  Rodrigues da  Costa  Dórea.  A nova cidade ficou em festa e a juventude eufórica e esperançosa com o porvir, comemorou até altas horas a bem animada festa realizada próxima à   praça da Matriz, além de uma missa em ação de graças, com fogos de artifício.
Embora a emancipação somente tenha ocorrido em 1909, a vila já apresentava há algum tempo a prosperidade proposta pela legislação vigente na época, comprovada estatisticamente pela receita tributária e pela população existente.
Freitas, José Adilson de.  Panorama tobiense. Aracaju: Info Graphics Gráfica & Editora, 2009.

Nenhum comentário:

Postar um comentário