Tobias Barreto
1909-2012
Num cantinho da Província de Sergipe, estava a Vila
de Campos dos Sertões do Rio Real, fronteira territorial desanexada da Bahia a
08 de julho de 1820, para onde costumavam fugir os negros escravos que
terminavam agrupados nas santidades de Palmares, Carnaíbas e nos sertões próximos a Riachão. Estamos
falando da próspera e acolhedora Vila de
Campos, de cenário ruralista, com ruas
de chão batido, casas singelas, ares bucõlicos, animais soltos e um
povoado muito religioso, abraçado por dois rios.
Assim como em todo Brasil, em Campos,
a Igreja Católica teve importante papel no surgimento do núcleo
populacional, pois a função religiosa
provocou a existência do aglomerado. Em
torno da igreja formaram-se ruas e praças. A partir da construção da capela,
doada pelo primeiro mandatário Belchior Dias Moréia, a freguesia de Campos
começou a se organizar. A criação da Vila de campos resultou do crescimento da população que
vivia da atividade pecuária, embora essa população tenha enfrentado, durante
séculos, grandes dificuldades, pois faltavam escolas, médicos, saneamento etc.,
já que os senhores de terra e de gado
que formavam as classes dominantes não se interessaram pelo progresso da vida
urbana, e os governos demoraram para
reconhecer a importância da povoação. O
reconhecimento como Vila e, setenta e quatro anos depois o reconhecimento como
cidade, foi para a população o reconhecimento da sua existência pela igreja e
pelo estado.
A elevação da Vila de campos à
categoria de cidade atendeu aos interesses da população através das lideranças
locais, tendo à frente os incansáveis padres João Antônio de Figueiredo e seu
substituto, o Padre Luiz Gonzaga, além do intendente João Alves de Oliveira e o influente chefe político, o
Coronel Luiz Antonio da Costa Melo, os quais, insistentemente, reinvidicaram ao
presidente do Estado de Sergipe (governador) José Rodrigues da
Costa Dórea. Finalmente , o jornal – O Estado de Sergipe - oficial,
político e novicioso-, de sábado, 23 de
outubro de 1909, publicou o decreto-lei
550, da Assembléia legislativa
do Estado de Sergipe, que homologa
a elevação de Campos à categoria de
cidade, assinado pelo presidente Manoel
Baptista Itajahy e pelo vice-presidente José
Alípio de Oliveira, sancionado
pelo presidente do Estado de Sergipe
(governador) José Rodrigues da
Costa Dórea. A nova cidade ficou em festa e a juventude
eufórica e esperançosa com o porvir, comemorou até altas horas a bem animada
festa realizada próxima à praça da Matriz, além de uma missa em ação de
graças, com fogos de artifício.
Embora a emancipação somente tenha ocorrido em 1909,
a vila já apresentava há algum tempo a prosperidade proposta pela legislação
vigente na época, comprovada estatisticamente pela receita tributária e pela
população existente.
Freitas, José Adilson de. Panorama tobiense. Aracaju: Info Graphics
Gráfica & Editora, 2009.
Nenhum comentário:
Postar um comentário